19/02/2009 Franceses visitam cooperativas da Rede Cata Sampa
Na manhã de sábado (14), representantes da ONG francesa Creativ Entrepreuner visitaram a Cooperativa Ferrazense de Coletores de Materiais Recicláveis (Cofemar), em Ferraz de Vasconcelos, e a Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA), em Poá, as quais integram a Rede Cata Sampa, formada por cooperativas paulistas.
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Composta pelos franceses Alexandre Guinet e Matthieu Esprit, a equipe visitou o galpão da Cofemar e o centro de triagem da Cruma, onde conheceu todo o processo de beneficiamento dos materiais recicláveis, desde a chegada do material à cooperativa até o seu armazenamento final. Em ambos os locais, fizeram registros fotográficos e filmagens.
A visita faz parte de um projeto internacional da Creativ, que busca o conhecimento de algumas iniciativas sociais em países da América Latina, como México, Guatemala, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru, Uruguai, Argentina e Chile, além do Brasil. Ao mesmo tempo, eles representam algumas empresas da França, interessadas em investir em iniciativas sociais.
O catador da Cruma, Roberto Laureano da Rocha (Golfinho), membro da Comissão Nacional do Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), afirmou que o trabalho da ONG francesa é interessante para os catadores, que buscam divulgar um processo justo e limpo, não só na esfera local, mas no âmbito global. Para isso, possuem uma rede latino-americana de contato, além da troca de experiência em demais países.
Ele ressaltou que a organização dos catadores em cooperativas e associações, a atuação socioambiental e a organização política por meio do MNCR somam mais dignidade e força de luta à vida dos catadores.
“Primeiro é a questão da humanização. Não estamos vivendo mais o processo de trabalho escravo, de exploração por parte dos atravessadores. As cooperativas saem de um processo de exploração para um processo de organização. Os principais desafios para os últimos anos é organizar cerca de 800 mil catadores, onde boa parte deles está em lixões a céu aberto e em situação de rua”, disse.
Para o catador é possível a auto-sustentabilidade e as cooperativas devem continuar formando redes e se estruturar para a produção em escala industrial.
Indagado pelos visitantes sobre o modo em que os catadores são vistos pela população, ele ressaltou que, ao longo dos anos, depois de perceber as parcerias das cooperativas e o trabalho a nível global, assim como a mensagem ambiental, a sociedade começou a olhar os catadores de maneira diferente.
“Estamos avançando, a visão da maioria da população agora é mais humana. Entretanto, ainda há uma parcela da sociedade que olha os catadores com discriminação”, finalizou.
Ainda segundo os visitantes, o projeto pretende mostrar que muitas pessoas carentes dos países pobres são vítimas da situação social e precisam de oportunidade de inclusão, educação e informação. Ou seja, não estão numa situação desfavorável por gostarem de viver na ociosidade e no submundo, como pensam muitos países ricos e desenvolvidos. Solicitado pelos franceses, Roberto fez um breve resumo de sua trajetória de vida como catador.
Segundo Alexandre, fundador da ONG, o projeto realiza um jornalismo independente - o qual conta com o apoio da mídia -, que consiste em entrevistas, registros fotográficos, elaboração de vídeos e produção de textos, entre outros recursos, no sentido de mostrar que as empresas podem fazer negócios e ao mesmo tempo trabalhar de forma diferente, obtendo um retorno social ao focalizar outras questões, como Sustentabilidade e Responsabilidade Social Empresarial (RSE).
De acordo com Matthieu, a entidade acredita num mundo que reconhece a importância de se viver em uma forma sustentável, garantindo as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Para ele, as empresas podem ser capazes de resolver alguns dos problemas sociais e ambientais no mundo, por meio do investimento em recursos humanos, meio ambiente e relações com as partes interessadas no tema.
A intenção da equipe é a de publicar o resultado do projeto, que pretende chamar a atenção para sociedades sustentáveis em toda a América Latina e foi previsto para ser concluído em oito meses, sendo iniciado no México em agosto de 2008 e com término calculado para março, no Brasil.
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